Review Diablo 3

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8.0 Overall Score
Gráficos: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Longevidade: 9/10

Sempre Online | Auction House é mais do que um addon paralelo ao jogo | Falta de Endgame

Intro

Após 11 anos finalmente tenho nas mãos a terceira instalação da série Hack and Slash Diablo. E será que esta espera valeu a pena? Será o Diablo 3 (D3) tudo que era esperado? Será o D3 capaz de sobreviver à grande espectativa que todos os fãs da série tinham? Na minha modesta opinião: não! É impossível corresponder às espectativas criadas ao longo deste tempo. Não duvido que a Blizzard seja capaz de manter o nível de qualidade do Diablo 2, mas criou-se um mito tão grande por detrás desta série, que acompanhado por uma legião de seguidores com níveis de exigência muito acima do que seria humanamente possível produzir este jogo vai ficar sempre aquém do esperado. Eu próprio após dois meses e meio do lançamento do jogo sinto que o jogo poderia e deveria ser muito mais, mas será que este sentimento se deve à qualidade do jogo ou as espectativas que eu tinha? Vou tentar analisar cada elemento do jogo individualmente e ver a que conclusão chego, se sinto que o jogo podia ser mais ou se sou mais um entre muitos que queria mais do que seria possível.

Gráficos

Graficamente o D3 é muito melhor do que o seu predecessor e muito acima da média dos lançamentos mais recentes. Muitos poderão dizer que esteticamente queriam algo diferente, mas não que queriam um jogo graficamente melhor. O jogo corre as mil maravilhas desde o melhor sistema até ao portátil com 5 anos que uso para ver a minha página do Facebooke navegar na internet. Como é óbvio não é possível ter a melhor experiencia em computadores mais antigos, mas o facto de poder jogar em maquinas mais antigas é algo que mais jogos deviam permitir, não ter de fazer a escolha entre pagar a renda da casa ou comprar um PC novo para poder jogar o mais recente jogo no mercado é sempre um ponto a favor!

Gráficos no Maximo

Gráficos no Minimo

Os detalhes gráficos deste jogo são um petisco para os olhos, ainda hoje fico espantado com o movimento da relva quando ataco monstros que tentam barrar o meu caminho, ou com os pedaços dos mesmo que voam pelo ecrã depois de lhes mostrar o quão afiadas são as minhas armas ou poderosos os meus feitiços! Os cenários que percorremos vão desde a simples gruta com o chão coberto de água e pouco mais para ver do que paredes rochosas, até ao estar no topo de uma muralha durante uma invasão, onde é possível ver a batalha a decorrer como pano de fundo. Todos os locais por onde a história nos leva estão repletos de detalhes e pouco ou nada é deixado ao acaso.

Planos de fundo presentes no jogo

História

A história desenrola-se ao longo de 4 Actos e embora um pouco previsível é ainda assim cativante. Muito provavelmente devido aos magníficos Cinematics presentes, que mantêm o nível de qualidade esperado em produtos da Blizzard já desde os tempos do Warcraft. A história é simples e contada de uma forma muito directa o que não presenciei directamente é me contado por cinametics e isso é um grande ponto a favor, porque mesmo que não estivesse a ser completamente surpreendido pelas traições e revelações que o jogo me apresenta ainda assim me senti parte da história. Mas neste ponto surgem dois problemas que não podem ser contornados.

O primeiro, e menos irritante, é o facto de ter de reviver toda a história sempre que mudo de nível de dificuldade, o que se torna realmente chato muito depressa, mas como é possível avançar todos os diálogos e vídeos isto acaba por ser um mal menor.

O segundo problema e muito mais irritante é a personagem Leah. Toda a história gira a volta dela e seria de esperar que tivesse sido trabalhada até ao mais pequeno detalhe, mas não é o que acontece. É uma personagem unidimensional, que apesar de tudo que se passa a sua volta continua a agir como nada de grave se passasse e a somar a isto incrivelmente detestável, a forma como age é a de uma criança mimada. Outro aspecto que se mantem desde o D2 é a possibilidade de ter “seguidores” embora desta feita não temos de contratar mercenários e são introduzidos na história três seguidores , o Templar, o Scoundrel e a Enchantress; que nos ajudam durante o jogo – podendo um de cada vez seguir-nos e combater ao nosso lado. Cada um tem a sua personalidade e habilidades distintas.

Não são propriamente os companheiros perfeitos, têm a sua utilidade, mas tornam-se repetitivos muito depressa e em pouco tempo vi-me no menu do jogo a procurar a opção que me permitisse cala-los, infelizmente esta opção não existe..

Sistema de Combate

O sistema de combate foi algo que mudaram imenso entre o D2 e o D3, descartar por completo o sistema de talentos foi uma decisão corajosa, mas que resultou em algo muito além do que tínhamos anteriormente. Agora não estou limitado aos 2 botões do rato e a um sistema de talentos após escolhidos não podem ser alterados. Nada disso desta feita tenho a possibilidade de juntar mais 4 habilidades, para além das 2 anteriores, ao meu arsenal através da utilização do teclado (ou no meu caso dos botões extra no rato) e a um sistema de habilidade e runas.

Este sistema permite uma imensa variedade entre todos os jogadores e com a facilidade com que se trocam as habilidades e runas permitiu-me experimentar até encontrar o que melhor se enquadra com a minha forma de jogar ou com o grupo de que faço parte.

UI e Sistema de Habilidade + Runas

Creio que este é o ponto mais inovador do jogo e que apesar de ainda estar a ser trabalhado (a Blizzard já anunciou que vai melhorar muitas das habilidades menos utilizadas) é de longe o que me agrada mais. A possibilidade de mudar as habilidades de forma a adaptarem-se à minha forma de jogar ou ao tipo de monstros que encontro é uma lufada de ar fresco no género e permite uma maior variedade de Builds. É por isso que não consigo perceber o que se passou na cabeça dos criadores do jogo ao criar o Nephalem Valor. Não no buff em si, mas na forma como se aplica; passo a explicar: após atingir o nível máximo (nível 60) sempre que matamos um grupo de monstros mais forte – pack de Elites ou Champion – recebemos um “stack”, num máximo de cinco, do Nephalem Valor. Este tem como finalidade aumentar a probabilidade de encontrar items mágicos.

O problema é que sempre que mudamos de runas, talentos, saímos do jogo ou mudamos de capítulo perdemos este buff por completo, o que acaba por desencorajar a mudança de talentos e com isso perde-se muito do que este novo sistema tem de bom.

Nephalem Valor

Outro ponto muito positivo do sistema de combate é a possibilidade de evitar todos os ataques que têm como alvo o nosso herói, quer estejamos a ser atacados por uma horda de criaturas ou pelo maior general do inferno podemos sempre evitar os ataques, ou no caso de Barbarians e Monksserá possível evitar os ataques mais poderosos. Isto porque antes da maioria dos ataques existem avisos visuais ou sonoros que podem ser facilmente usados para evitar o que em muitos casos seria “a morte do herói”.

Isto pode não parecer algo importante, mas faz com que o jogo não seja só carregar num botão e ver tudo a morrer, obriga nos níveis mais altos de dificuldade que haja atenção constante e evita que o jogo se torne monótono.

Dificuldade e Progressão

No que diz respeito a dificuldade o jogo apresenta quatro patamares bem distintos, começando pelo modo normal que pouco mais é do que um tutorial de aproximadamente 30 níveis onde nos é dada a conhecer a história, mecânicas do jogo e as habilidades e runas do nosso herói. Foi me bastante difícil morrer nestes modo de dificuldade com qualquer das classes; foi preciso estar bastante distraído para morrer. Após completar o jogo em modo normal segui a minha demanda desta feita em dificuldade Nightmare e é aqui que o jogo começa a exigir um pouco mais de atenção. Os monstros sofrem um bom salto em dificuldade e começam a surgir combinações de mecânicas nos monstros mais poderosos. O nível seguinte de dificuldade é Hell e existe um novo salto, desta feita ainda maior, em dificuldade assim que começamos o Acto 1, mas é a meio do Acto 3 e através do quarto Acto que o jogo começa a mostrar o que tem reservado. Estar simplesmente parado a matar os monstros que nos boqueiam o caminho deixa de ser uma táctica acertada, não que não seja possível se estivermos com o melhor equipamento possível, mas no primeiro herói isto dificilmente acontecera e os monstros aqui já não se limitam a morrer ao fim de 2 pancadas. Por fim temos a dificuldade Inferno e é aqui que se separam os homens dos meninos. Desde o lançamento do jogo até ao dia de hoje a dificuldade inicial já foi reduzida e o que antes era um murro nos genitais passou a ser um mero beliscão no acto 1 e 2, mas os dois que se seguem continuam a ser extremamente difíceis. Mas onde a coisa fica mesmo interessante é no modo Hardcore onde tudo que disse até aqui se mantem, mas com um ponto extra, assim que o herói morre é permanente não há botão para regressar ao checkpoint anterior, não se pode recomeçar do inicio do acto nem sequer reaver o equipamento que estava no herói, tudo é perdido. Aqui não se brinca!

Como é óbvio tudo isto se resume a primeira vez que se progride pelo jogo. Com o tempo e a aquisição de equipamento o jogo vai se tornando cada vez mais simples quer seja por tudo morrer mais rápido ou por já saber como reagir a todos os tipos de monstros. E surge aqui um dos, senão o maior, problema do jogo. A falta de sistema real de progressão, porque tudo é bonito enquanto ando todo esfarrapado, mas assim que o equipamento melhora o jogo torna-se demasiado simples deixa de existir um motivo para continuar a joga-lo, sem desafio ou um objectivo a cumprir é mais difícil encontrar motivação para jogar. Não me interpretem mal tenho no momento deste texto um agregado em todos os heróis de mais de 190 horas de jogo. Isto seria o mesmo que ir ao cinema ver um filme de hora e meia por menos de 50 cêntimos. O jogo vale o investimento sem qualquer dúvida, apenas sinto que “acaba” de uma forma brusca.

Um aparte no que diz respeito à progressão gostaria também de discutir o tema Whimsyshire, o nível bónus presente em D3. Aqui está um bónus que realmente vale a pena ter. O nível extra escondido no jogo que pode ser desbloqueado através da aquisição de vários items raros espalhaos pelo 4 Actos e que desbloqueia a maravilha que se segue!

 

Conclusão

Em conclusão tenho em mão um jogo que perde mais pelo que se esperava que fosse do que pelo que realmente é. Na minha modesta opinião é simplesmente um dos melhores jogos que joguei até hoje Tem os seus defeitos e dois deles são um pouco difíceis de ignorar:

A Auction House fazer parte integrante do jogo em vez de ser apenas um addon paralelo ao jogo;

O sempre online se não trás nada de positivo ao jogo e pode ser apenas justificado pela presença da Auction House, dado que era muito simples acrescentar um botão no menu para permitir o modo Co-Op apenas quando desejado.

Mas num dia normal em que a nossa ligação esta estável e os servidores não estão sobrecarregados jogar D3 é uma carrada de diversão, que aumenta ainda mais quando jogamos com amigos. Dá para entrar no jogo jogar 10 minutos ou 10 horas e sentir que se fez algo e no dia seguinte ou um mês depois voltar e continuar de onde estávamos sem grandes preocupações. A longevidade do jogo é algo que podia ter sido mais trabalhada, mas é como disse só eu tenho mais de 190 horas jogadas… Para um jogo “single player” parece me um bom numero.

É um jogo que recomendaria a qualquer um sem pensar duas vezes. Vale facilmente o investimento e com os constantes updates que sofre é possível que dentro de alguns meses os defeitos que encontrei no jogo já não estejam presentes.

Nota final: 8/10

Futuro

Para o futuro já esta anunciada a adição de PvP, que devera aumentar em muito a longevidade e trazer um aspecto competitivo ao D3, embora ainda não exista informação de data para o lançamento deste patch. Outra promessa feita foi a de melhorar o loot obtido de forma a minimizar a necessidade de utilizar a auction house, tal como alterações aos itens Lendários, que os tornara mais apetecíveis. Temos aqui mais um ponto que a concretizar-se resolverá um dos maiores problemas que encontrei no jogo. Por fim temos a promessa de que será adicionado ao jogo um sistema de “Endgame”, embora não exista qualquer tipo de informação extra acerca deste anuncio.

A concretizarem-se estas alterações o jogo devera melhorar significativamente e subir de nota para algo mais próximo de 9/10 ou até mesmo 9.5/10. Apenas o tempo dira se estas alterações são tudo que prometem ser.

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Author: Artherk View all posts by
Olá sou o Gonçalo Neto, tambem conhecido por Artherk e sou um contribuidor do TugaReviews. O meu principal interesse são jogos e Hardware relacionado com jogos.

Comentários

  1. Pimpy diz:

    Vim a conhecer o site através de um dos colaboradores e esta foi a 1ª review que vi. A review está bastante completa e boa e passei a ver o site quase diariamente 🙂 Reviews tugas é o que mais queremos!

  2. Diana diz:

    Gostei bastante e ajudou-me a perceber melhor o porquê de ter tido o meu namorado a jogar durante tanto tempo!

  3. Silent diz:

    Bom review! Muito bem tratado e organizado. Nunca tinha pegado num diablo 3 e falava mal. mas tenho na ultima semana tenho jogado e tem puxado!

  4. Ioieh diz:

    Bom review, infelizmente concordo que o jogo podia ser melhor… 5 dias a jogar e acabas por perder o interesse…
    *****

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